A população de Piumhi ganhou oficialmente um novo espaço de lazer e convivência com a inauguração da Praça Dalva Soares Alves, Dona Dalva, que fica situado no loteamento Estrela Branca, bairro Aeroporto. O local nasce com a proposta de fortalecer os laços comunitários e promover mais bem-estar e qualidade de vida para moradores de todas as idades, além da expansão de obras por vários cantos da cidade.
Com área construída de 1.711,83 metros quadrados, a praça foi planejada com foco na acessibilidade, segurança e conforto. O projeto contempla canteiros centrais gramados, que valorizam o paisagismo e tornam o ambiente mais acolhedor.
Foram construídas rampas de acesso e piso podotátil em todo o perímetro, garantindo inclusão e autonomia às pessoas com mobilidade reduzida ou deficiência visual. A iluminação em LED reforça a segurança e contribui para a eficiência energética, possibilitando o uso do espaço também no período noturno. Bancos de madeira e lixeiras completam a estrutura, oferecendo mais comodidade e organização aos frequentadores.
A solenidade de inauguração contou com a presença do prefeito Dr. Paulo César Vaz, acompanhado da primeira-dama Fernanda Craide. Ambos fizeram uso da palavra, destacando a importância da obra para a comunidade. Também discursaram o presidente da Câmara, José Welington da Silva, o vereador João Lúcio de Matos e o ex-prefeito Wilson Marega Craide; além do secretário municipal de Meio Ambiente, Magno de Paula, Gaguinho.
Os vereadores Fábio Henrique Novaes Ferreira, Antônio Fernando Gomes e Gilvan Antônio da Silva estiveram presentes na cerimônia, enquanto os demais parlamentares e o vice-prefeito Cirineu justificaram a ausência.
Familiares da homenageada também participaram do momento solene. Estiveram presentes o filho Ronaldo Soares Alves e a esposa Maria Aparecida do Carmo; a filha Maria Imaculada Alves e o esposo Oswaldo Miranda; o filho Wellerson Soares Alves; o filho Arnaldo Soares Alves e a esposa Delce Miranda; o filho Carlos Rodrigues, acompanhado da esposa Marcia Maria Silva Rodrigues, que representou a família durante a fala oficial. Os demais filhos justificaram a ausência.
Após os pronunciamentos, foi realizado o descerramento da placa inaugural, simbolizando oficialmente a entrega da praça à população de Piumhi. Participaram também servidores do município, demais autoridades e a população em geral.
A Praça Dona Dalva passa a integrar o conjunto de espaços públicos voltados à convivência e ao lazer no município, reforçando o compromisso com a valorização dos bairros e com a qualidade de vida da população. Mais do que uma obra física, o novo espaço representa memória, reconhecimento e investimento no futuro da cidade.
DONA DALVA
Dalva Soares Alves, a Dona Dalva, nasceu iluminada. Seu pai lhe deu esse nome em razão do horário de seu nascimento, em homenagem à estrela-d’alva, que surge ao amanhecer. E não foi por acaso que veio ao mundo irradiando luz.
Natural de Piumhi, Dona Dalva nasceu em 24 de abril de 1926. Era filha de Vicente Soares de Morais e Maria Cândida Moreira. Foi exemplo de mulher perseverante e de grande aceitação. Apesar das muitas atribulações vividas, acreditava que a fé e a esperança são as forças que nos permitem vencer.
Criada com mais 16 irmãos, enfrentou as dificuldades próprias da época, mas teve uma infância feliz. Aos sete anos, ingressou na Escola Avelino de Queiroz, onde aprendeu a ler e escrever. Sua juventude também não foi marcada por grandes surpresas. “As moças eram inocentes naquele tempo. Tudo era mais difícil e os namoros bem diferentes dos de hoje”, costumava dizer.
Aos 14 anos, ingressou no apostolado da Igreja Católica, participando sempre das reuniões. Foi católica praticante e fervorosa por toda a vida.
Casou-se aos 21 anos com o Sr. Deusdede Rodrigues Alves. Dessa união nasceram nove filhos — Oswaldo, Ronaldo, Maridalva, Lúcia, Elizabeth, Arnaldo, Romilda, Carlos e Wellerson — aos quais sempre dedicou amor e cuidado, mesmo diante das dificuldades e dos poucos recursos financeiros.
Para ajudar no sustento da numerosa família, além do trabalho doméstico, foi lavadeira e passadeira até conseguir uma vaga de servente escolar na Escola Josino Alvim. Trabalhou ali por quase vinte anos, varrendo salas, lavando banheiros e ajudando no preparo da famosa sopa destinada aos alunos carentes. Aposentou-se antes do tempo devido a um acidente de trabalho.
Sua vida teve momentos difíceis e conturbados, mas superou obstáculos e viveu, ao lado do marido e da família, muitos momentos de felicidade. O casal compartilhou alegrias, construiu sonhos, adquiriu sua casa e formou uma família estruturada. O marido trabalhava arduamente no ramo da madeira e contribuía para o sustento do lar, até que, infelizmente, faleceu precocemente, aos 52 anos.
Apesar das adversidades, Dona Dalva nunca perdeu a fé nem a esperança — ingredientes que considerava essenciais para uma vida feliz e saudável. Sempre dizia que devemos agradecer a Deus, mesmo diante das dificuldades, pois, quando menos esperamos, as coisas voltam a se ajeitar.
Muito educada, tratava a todos com carinho e respeito, conquistando amizades em todas as camadas sociais.
Costumava afirmar:
“Sou uma pessoa de grande aceitação. Creio que isso me permitiu perdoar e esquecer coisas do passado. Não podemos esquecer que nosso propósito aqui está de acordo com a vontade de Deus. E, mesmo quando passamos por momentos ruins, a esperança é o que nos dá força para viver.”
Dona Dalva era forte, mas serena; resiliente e paciente. Quem a conheceu sabe de sua capacidade de manter a calma, mesmo sob pressão. Encarava os problemas com visão positiva e buscava soluções, em vez de desistir.
Sua maior alegria e orgulho sempre foi ver a casa cheia e a família feliz. Teve nove filhos, 23 netos, além de bisnetos e tataranetos. Para ela, esse era o maior sonho que uma mãe poderia realizar.
A idade lhe trouxe sabedoria, e, para todos nós, seu exemplo ultrapassa o entendimento de muitos que desconhecem o verdadeiro significado de “perdão” e “perseverança”. Assim como a escolha de seu nome revela, Dona Dalva foi, de fato, uma estrela que veio ao mundo para iluminar.






