AGRICULTORES DA REGIÃO DE PIUMHI INVESTEM NO PLANTIO DO MARACUJÁ

 

Para garantir mais renda e diversificar as atividades em suas propriedades, 16 produtores familiares da microrregião decidiram no início deste ano investir no plantio do maracujá, uma vertente totalmente diversa das tradicionais cafeicultura e bovinocultura de leite e corte, que ainda predominam no cenário econômico regional. Uma parceria com a Empresa Brasileira de Bebidas e Alimentos (EBBA), detentora de marcas como Maguary, Dafruta e Bela Ischia, que garante o escoamento de toda a safra foi um dos principais incentivos à prática implantada com a coordenação do Departamento Municipal de Agricultura (DMA) da Prefeitura de Piumhi e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (EMATER-MG).

Tudo começou em janeiro deste ano, quando uma delegação integrada pela coordenadora do DMA, Helenice Rosa Miranda, pelo presidente da Câmara de Vereadores Antônio Fernando (Detetive) Gomes e o produtor rural Flávio Garbin foi até o Triângulo Mineiro conhecer as instalações da EBBA em Araguari e a sua metodologia utilizada na aquisição dos frutos num sistema de cooperação mútua com agricultores de várias regiões do Estado.

“Conhecemos ainda o processo de produção de mudas nos viveiros da Flora Brasil, além de entender um pouco sobre o cultivo do maracujazeiro e também sobre todo o processo que envolve a sua comercialização. Vimos claramente que seria a oportunidade para se promover a diversidade agrícola junto às famílias de produtores rurais”, reporta Helenice Miranda.

O passo seguinte foi a incorporação da EMATER-MG ao projeto. “Contatamos o gerente da Regional de Passos, Frederico Ozanan de Souza e firmamos a parceria, necessária e imprescindível”, conta a coordenadora. “Nosso trabalho fica centrado na assistência técnica, na divulgação do projeto no meio rural e na mobilização dos agricultores familiares da região”, detalha o extensionista da EMATER-MG em Piumhi, engenheiro-agronômo Eli Mattioli.

GRUPO PIONEIROEm fevereiro aconteceria a primeira reunião com donos de propriedades interessados no cultivo da fruta. No encontro, realizado no auditório da Câmara de Piumhi, foi formado o grupo de 10 primeiros produtores de maracujá da região conveniados à EBBA. A etapa seguinte seria então a aquisição de um lote de 10 mil mudas que ocupam hoje um total de 15 hectares na zona rural de Piumhi.

“Nossa expectativa é das melhores possíveis, esperamos que o sucesso destes pioneiros incentive a expansão das áreas ocupadas pelos maracujazeiros em Piumhi, calculamos inclusive que pode até mesmo duplicar o número de produtores da fruta já no ano que vem”, vaticina o diretor do DMA Geraldo (Dinho) Antônio Sansoni, contabilizando inicialmente uma injeção de R$ 650 mil na economia piumhiense logo na primeira safra que começa em meados de setembro e se estende pelos 9 meses seguintes.

“A fruticultura é uma atividade nova em Piumhi, mas acreditamos que em muito contribuirá para o desenvolvimento da nossa economia, uma tendência em expansão no Sudoeste de Minas e em muitos municípios alcançou um bom nível de produção e já mostra resultados altamente satisfatórios, o mesmo que com certeza vai se repetir aqui”, aposta Helenice Miranda.

Os cálculos do Departamento Municipal de Agricultura e EMATER-MG dão conta de uma produção de 35 toneladas por hectare nas frentes produtoras do município, concentradas nas regiões de Bonsucesso, Penedos, Mata das Capoeiras, Motas e Capão do Urubu.

“A variedade cultivada na região é o maracujá FB-300 tipo azedo e para garantir as boas práticas no pomar, os produtores receberam o manual Cultura do Maracujazeiro – Recomendações Técnicas que traz todos os pormenores desde a escolha da área e preparação do solo até a colheita, sem esquecer dos cuidados ambientais”, explica o extensionista Eli Mattioli.

MERCADO SEGURO
Além da garantia de escoamento da safra, os produtores que participam do projeto recebem assistência técnica e capacitação fornecida pela fabricante dos sucos e mudas desenvolvidas para a indústria, com características que remetem à rusticidade, alta capacidade produtiva e resistência a pragas, fornecidas a preços mais acessíveis. “A cada dois meses, o supervisor de compras da EBBA, Hércules José Oliveira vem a Piumhi realizar a vistoria nos pomares”, conta o engenheiro-agronômo da EMATER-MG.

Mattioli relata ainda que até mesmo o comércio de insumos na cidade está se adequando à realidade do maracujá em Piumhi. “As casas que comercializam produtos agropecuários estão diversificando seus estoques, buscando atender a estes fruticultores em suas necessidades de manutenção e trato cultural dos maracujazeiros”, revela.

Em outros municípios da microrregião de Piumhi, a cultura do maracujá ainda é tímida. Alinhados à metodologia implementada pela EBBA, estão dois produtores em Capitólio, totalizando 5 hectares totais naquele município e um produtor em Vargem Bonita, que mantém 1 hectare ocupado pela cultura.

COLHEITA À VISTA
Com as plantas já desenvolvidas, agosto é tempo de condução das hastes pelas espaldeiras nos pomares espalhados pela zona rural piumhiense, num trabalho praticamente diário que mobiliza os produtores e suas famílias. A primeira floração no município está prevista para o início do próximo mês, seguida pela frutificação com a colheita inicial acontecendo na segunda quinzena de setembro.

O escoamento de toda a produção está a cargo da EBBA. O preço mínimo contratado e pago ao produtor no campo será de R$ 1,30 o quilo. “Um pomar bem conduzido e o manejo adequado pode gerar para o fruticultor uma renda bruta de até R$ 4,5 mil por hectare durante os nove meses de colheita”, avalia Dinho Sansoni.

Na agricultura, a história recente de Piumhi passa por dois períodos áureos: o do abacaxi entre os anos 1950 e 1970 quando o município chegou a ser apontado como o maior produtor do Estado e um dos maiores do país e do café que teve seu apogeu nas duas décadas seguintes. Se o maracujá, mesmo agora figurando apenas como um ‘embrião’ no campo, terá impacto significativo na trajetória agrícola do município só o tempo irá dizer.

Fonte: Jornal Alto São Francisco

 

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